segunda-feira, 17 de março de 2014

Educação da Pessoa com Surdez

Sabemos que o embate político entre gestualistas e os oralistas perdurou por muito tempo, tendo ocupado lugar de destaque nas discussões e ações que envolviam a educação das pessoas com surdez. Uma nova visão de homem e sociedade, cultura e linguagem de forma fragmentária esta sendo revista com a nova politica de Educação no Brasil, precisamos principalmente no espaço escolar rever nossas práticas de ensino aprendizagem apresentando caminhos consistentes e produtivos para educação escolar da PS.
Não faz sentido legitimar estudos e trabalhos que defendem uma cultura surda, língua surda e sujeito surdo, não se tem a necessidade de dicotomizar as pessoas com ou sem deficiência, sempre iremos nos igualar na convivência, na experiência, nas relações, enfim, nas interações, por sermos humanos. A PS não pode ser vista como deficiente, mas, sim com perda sensorial auditiva, o que a limita biologicamente, mas, por outo lado, há toda uma potencialidade que se integram tornando essa pessoa capaz.
Com os embates entre gestualistas e oralistas e as discussões existentes prejudicaram o desenvolvimento das pessoas com surdez na escola, quando se pensa que suas dificuldades se dão pelo uso dessa ou daquela língua, sendo que o fracasso escolar não se dá por esta questão, mas também na eficiência, ou não, das praticas pedagógicas. A pessoa com surdez precisa ser estimulada nos seus aspectos cognitivos, culturais, sociais e linguísticos. “Contudo precisamos nos afastar de ideias de unanimidade, de obviedade de fragmentação, pois mergulhar na realidade é saber que estamos sempre incompletos, indefinido, por sermos complexus”, Morim (2001)
Hoje estamos diante do bilinguismo que tira a pessoa com surdez da clausura permitindo o uso da Libras e da Língua Portuguesa, mas precisamos ressaltar que o uso dessa ou daquela língua não será o suficiente para o desenvolvimento do aluno e garantia de aprendizagem significativa.

Diante do exposto, legitimamos a abordagem bilingue e aplicamos a obrigatoriedade dos dispositivos legais do Decreto 5.626 de 5 de dezembro de 2005, que determina o direito a uma educação que garanta a formação da pessoa com surdez em que a Língua Brasileira de sinais e a Língua Portuguesa, preferencialmente na sua modalidade escrita, constituam línguas de instrução, e queo acesso às duas línguas ocorra de forma simultânea no ambiente escolar, colaborando para o desenvolvimento de todo processo educativo”

“ A pessoa com surdez precisa ser trabalhada no espaço escolar como um ser que possui uma deficiência, mas uma deficiência, e que essa deficiência, provoca uma diferença e limitações e tais limitações devem ser reconhecidos e respeitadas, mas não podemos justificar o fracasso nessa questão, em virtude de cairmos na cilada da diferença, segundo".(Pierucci, 1999)


O potencial natural de cada um precisa ser valorizado e as práticas pedagógicas transformadas, a escola precisa se transformar e pensar no homem como um ser dialógico, transformacional, incluso, reflexivo, síntese de múltiplas determinações num conjunto de relações sociais,com capacidade de idealizar e criar. O atendimento Educacional  Especializado tem a função de organizar o trabalho complementar para a classe comum, visando a autonomia e independência social, afetiva, cognitiva e linguística da pessoa com surdez na escola e fora dela. O professor do AEE PS pode construir um ambiente de aprendizagem, na busca de metodos  e procedimentos que beneficiem a aprendizagem do aluno, ensinando o aluno o ato de aprender a aprender, permitindo que este aluno pense, questione, levante ideias, entre em conflito, na busca de respostas aos seus questionamentos.

Assim sendo a organização didática do AEE PS envolve além do diagnóstico e a formação do professor nos três momentos didáticos- pedagógicos: AEE em Libras; AEE para o ensino de Língua Portuguesa; e o AEE para o ensino de Libras. O AEE deve respeitar o ambiente comunicacional das duas línguas e a participação ativa e interativa dos alunos com surdez, permimitindo e assegurando sua aprendizagem.